CAPÍTULO 3
Assim que Perola desligou o telefone ela não acreditava no que acabara de acontecer e fazer. Ela havia marcado um encontro com um desconhecido e o pior de tudo é que ela estava mentindo. Mas, ela estava muito ansiosa para saber quem era esse rapaz, porém ela acabou se esquecendo de um pequeno detalhe. Ela marcou de sair com duas pessoas no mesmo dia e no mesmo horário. O que ela faria? Como ela não conseguiu chegar a nenhuma idéia genial achou melhor e dormir e descansar porque ela tivera tido um dia muito agitado. Deitou e ficou pensando no Eduardo.
No dia seguinte acordou muito entusiasmada, então aproveitou a manhã para colocar os seus estudos em dia. Fez alguns trabalhos da faculdade, arrumou a casa e a cada vez que olhava para o relógio imaginava como seria o seu encontro.
As horas caminhavam lentamente e a sua ansiedade apenas aumentava. A voz do rapaz era grossa, por isso ela começou a imaginar como ele seria, pois ela ficou escutando a voz dele durante todo o dia todo. Aquela voz penetrou de vez a sua mente.
De repente, ela lembrou que havia combinado que iria ao cinema com o seu namorado, e não sabia o que fazer, pois gostava demais do seu namorado e também queria sair com ele, mas ela estava gostando e se divertindo muito com a hipótese de sair com um desconhecido, pois seria uma aventura. Por isso foi necessário tomar uma decisão. Ela pegou o telefone e ligou para o Bruno.
─ Bruno?
─ Fala fofa.
─ Não vamos poder sair hoje. Minha mãe ligou dizendo que está muito chateada porque brigou com o meu pai e quer que eu faça companhia para ela hoje, daí expliquei que já tínhamos marcado o cinema, mas você sabe como eu só não é? Não posso ver alguém triste que quero ajudar, ainda mais quando, essa pessoa é a minha mãe, por isso estou ligando pra você. Se você quiser marcar podemos sair amanhã. O que acha?
─ Que chato essa situação, mas paciência, nem sempre é possível fazermos tudo o que queremos... Faça companhia para a sua mãe, porque você é a única pessoa que ela tem. A noite eu ligo pra você, assim que eu chegar em casa, tudo bem?
─ Combinado. Até a noite.
─ Até.
O relógio marcava exatamente 14h. Faltava uma hora para Perola ir se encontrar com o Dú e conhecê-lo. Ela achou melhor sair de casa um pouco mais cedo, pois ela não queria que nada e nem ninguém atrapalhassem o seu encontro e resolveu ir ao parque caminhando.
No caminho ao parque encontrou uma amiga que não via há muito tempo, por isso parou e conversou um pouco com ela.
─ Desculpe Helena, mas tenho que ir, pois tenho que estar às 15h no parque.
─ Nossa!!! O que você fará de tão importante por lá?
─ Não posso te contar ainda, pois senão chegarei atrasada. Apenas posso te garantir que não sei direito o que estou fazendo. Só posso falar que irei encontrar uma pessoa.
─ Bom passeio amiga.
─ Me liga para conversarmos. O meu telefone ainda é o mesmo, ou se você achar melhor escreva um email tá?
─ Não prometo nada, mas tentarei.
─ Nunca pensei que fosse encontrar a Helena. Sem falar que perdemos o contato. Isso me chateia um pouco, mas deixa pra lá. Tenho que ir logo ao parque porque senão vou me atrasar.
─ Caminhou mais três quarteirões e chegou ao parque pontualmente no horário combinado.
Seu coração começou a bater mais forte. Sentia algo que nunca sentira. Ela estava com medo, mas já estava ali e agora era tarde demais para voltar atrás e escapar.
Ao redor da árvore ela não viu ninguém que pudesse ser o rapaz. Olhava, olhava e nada. Como ele ainda não tinha aparecido, ela resolver se esconder atrás de outra árvore de forma que conseguisse ver quem estivesse passando por ali.
Já fazia quinze minutos que ela estava esperando quando notou que um rapaz havia sentado debaixo da árvore que haviam marcado. Ela estava um pouco distante, por isso não conseguiu ver claramente a fisionomia do rapaz, então decidiu sair do seu esconderijo e caminhou em direção a ele.
O rapaz estava sentado de costas para ela, mas mesmo assim ele percebeu que tinha alguém andando em sua direção, por isso olhou em sua volta e viu a pessoa por quem ele esperava já havia chegado.
